Blog UOL Cartões

Data do texto 12/12/2008

UOL Cartões entrevista: Ilustralando


Crédito: Cris Ba Fann

UOL Cartões tem algumas "figurinhas" recorrentes em seu espaço. São ilustradores que, pela versatilidade e talento, são sempre lembrados e marcam presença em nossa galeria. A marca Ilustralando é certamente uma delas e versa com diferentes temas com desenvoltura. Por trás da assinatura, o artista: Orlando Faya, arquiteto, 34 anos. Nesta conversa informal, ele expõe um lado mais humano -e menos conhecido do UOL Interação e do público-, conta sua trajetória e revela o que espera da vida.

UOL Cartões - Fale um pouco sobre você.

Orlando Faya - Bom, sou arquiteto e já desenhei muito conjunto habitacional. Mas sempre fui inquieto e sempre trabalhei com cenografia e ilustração, mesmo antes de concluir a faculdade. Atualmente, me dedico ainda mais aos filmes de animação e tento - da melhor forma possível - conciliar tudo isso. Minha profissão é a intersecção de todos estes vetores.

UOL Cartões - Há quanto tempo está na área, como foi sua entrada neste mercado, os principais veículos para os quais já trabalhou/trabalha?

Orlando Faya - Desenho desde muito novo e acredito que "minha carreira" tenha começado lá pelos quatro anos de idade (risos). Em 1996, quando ainda estava na faculdade, fui convidado para ilustrar toda a coleção de livros didáticos de ensino de Língua Inglesa para União dos Centros Binacionais. Foi um desfio e tanto; não tinha nenhuma experiência e tive que criar um perfil para toda a coleção que contava com quatro livros, totalizando mais de cento e cinqüenta ilustrações. Esse produto foi muito bem aceito e, a partir daí, surgiram convites de outros escritórios de programação visual para a produção de mais material com esse perfil. Fiz muitos trabalhos para o mercado de didáticos e paradidáticos. Neste mesmo período, fiz ilustrações para publicações da Editora Nova Cultural e paralelamente trabalhava como assistente de um consultor de publicações (uma área absolutamente técnica de verificação de integridade de arquivos digitais, muito maçante!) Ah! Tive uma - e única - aventura no campo do cartum, quando participei, em 1999, do Salão Nacional de Charges Dino e me classifiquei entre os 10 finalistas.

Meus desenhos começaram a ter movimento em 2002, quando vi uma ilustração minha - "Os Equilibristas"- e pensei: "- Eles poderiam se mexer!" Corri até a banca de jornal, comprei uma dessas revistas que traz o trial do Flash (versão teste do programa) e, uma semana depois, sem dormir, eles se mexiam (!) O filme foi batizado como "1 é pouco, 2 é bom e 3 é D+ ". Publiquei em uma página pessoal que tinha aqui no UOL mesmo e foi um sucesso. Fiquei mais empolgado quando os amigos da área, como a Cecília Esteves (ilustradora) e Célia Catunda (da Pingüim Produções) me incentivaram a continuar, dizendo que o produto final tinha ficado muito bom!

No ano seguinte, outro sucesso foi o filme "Par Perfeito", a saga de um par de chinelos apaixonados. Esse faz sucesso até hoje no Youtube. Bom, e tem tudo de lá para cá, sem contar as partes que pulei (risos). Mas o resto fica para a minha biografia não-autorizada que pretendo escrever de próprio punho (risos).

UOL Cartões - Há quanto tempo trabalha com UOL Cartões? Lembra do primeiro trabalho publicado?

Orlando Faya - Li as entrevistas dos outros fornecedores e a minha história com o UOL não se parece em nada com as deles. Ninguém me descobriu, indicou ou procurou. Fui atrás mesmo, caçando, pedindo informação, até que em março de 2005 a Branca Galdino - que na época trabalhava na editoria de arte - aceitou receber meu material.

Só tive retorno três meses depois, quando o Roberto Moreno me enviou o primeiro pedido/teste, que foi o do Dia dos Avós  - filme pelo qual tenho muito carinho até hoje. Este mesmo pedido incluía também os filmes do signo de Leão e o de Virgem.

Mas, mesmo antes desta entrega, surgiu um pedido urgente, que topei fazer. Por sinal, essa história de "apagar incêndio" se transformou quase num elo entre mim e a casa (risos).

E, assim sendo, meu primeiro trabalho publicado - mesmo antes do pedido/teste - foi o filme do São Paulo Tricampeão da Taça Libertadores da América, que - segundo o Moreno me disse na época - teve milhares de acessos na primeira hora no ar. Foi um bom começo!

UOL Cartões - Quais artistas influenciam o seu trabalho?

Orlando Faya - Outra resposta difícil. Minha formação é muito híbrida, então poderia elencar uma série de nomes. Mas vou destacar um que reúne muito do que acredito e do qual sou fã incondicional: Tim Burton.

UOL Cartões - Quem vê seu trabalho observa uma tendência humorística nele - personagens bonachões, engraçados, carismáticos. Sempre com um toque de humor e também elegância. Você é assim?

Orlando Faya - Não tenho como responder isso. O máximo que a gente consegue tentando enxergar a gente mesmo é ficar vesgo. Uma vez me disseram que os personagens reproduzem algumas características dos seus criadores. Se isso for verdade, eles herdaram minha boca enorme e cheia de dentes.

UOL Cartões - Como você avalia o atual momento da sua produção? Já está realizado? A que nível você deseja chegar?!

Orlando Faya - Estou muito longe de estar realizado. Tenho uma tonelada de projetos que ainda estão à espera que encontre os parceiros e as vitrines para que eles apareçam. São personagens, quadrinhos,  ilustrações. Enfim, milhões de idéias, mas ainda sem lugar para aparecer. Sou teimoso e não paro de tentar. Hoje em dia é ingênuo acreditar que a gente consiga sustentar - financeiramente inclusive - esse tipo de projeto sozinho e, por isso, continuo buscando essas parcerias por todos os lados. Na hora em que elas acontecerem, será muito bom.

UOL Cartões - Para nos enviar esta foto, você chorou, se lamuriou. Disse que foge da câmera "como o diabo foge da cruz". Como você concilia esta aparente timidez com sua produção? Como esta característica influencia no seu processo criativo?

Orlando Faya - Que exagero! (risos). Não é esse drama todo; só quis dizer que não tenho fotos minhas mesmo. Não é gênero, realmente detesto ser fotografado. Esta, por exemplo, foi tirada no susto por uma amiga que mora em Londres. Veio de longe (!) Se sou péssimo marqueteiro de mim mesmo, por outro lado, não acho que o destaque tenha que ser eu, mas sim o que produzo. É importante que identifiquem o meu trabalho e não meu rosto. Mas já passei da época da ingenuidade e sei que hoje em dia - e principalmente neste veículo em que estamos - se você não tem uma foto pessoal "pendurada" em algum lugar, as pessoas acreditam que você seja um holograma(!)

Luto pelo meu trabalho - e pela divulgação dele - como se fossem meus filhos. Dedico meu tempo, meu empenho, tudo de melhor que tenho para que eles cresçam, se desenvolvam e apareçam. O "pai" fica de fundo aplaudindo. Uma pergunta que não foi feita, mas acho legal contar. Não assino meu nome, não por timidez, mas por estratégia. Assim que comecei, chegava nos lugares com a pasta debaixo do braço e me apresentava como "Orlando" e os editores e diretores de arte achavam que era o Orlando Pedroso (ilustrador). Resultado, ou não me recebiam porque já o conheciam ou recebiam e ficavam decepcionados por não ser ele.

Ainda sobre a timidez, acho que posso dizer que ela colabora à medida que você perde menos tempo na frente do espelho e sobra mais tempo para produzir.

UOL Cartões - Você é, certamente, um de nossos ilustradores que, se não é o mais antigo, pelo menos é um dos mais presentes. Quem acessa UOL Cartões não demora muito para deparar com uma arte sua. Você sente-se confortável produzindo para a gente? O que este "tempo de casa" te trouxe de experiência?

Orlando Faya - Torço para que seja um dos mais presentes por qualidade e não por idade. Não estou confortável e pretendo nunca estar. Quando isso acontece, é o primeiro passo para a acomodação. Todo processo criativo, para ser produtivo, tem que ter inquietação, dúvida. Se contar com o ovo dentro da galinha, achando que "é sucesso garantido", estou errando mesmo antes de começar.

Toda vez que recebo o pedido, fico pensando como posso - por meio dos personagens  e da ação - potencializar a mensagem, deixá-la mais engraçada e mais direta. Tenho  sempre a preocupação de não cair na fórmula fácil e, quando acho que o que produzi não acrescenta, começo tudo novamente. Posso dizer também que busco, na minha produção passar a mensagem de forma mais rápida e bem humorada possível. Quem vê um cartão recebe a mensagem de forma quase instantânea ou não recebe. Filmes com "dez horas de duração" não funcionam, eles acabam quebrando o elo entre o emissor, a mensagem e o receptor.

UOL Cartões - O que você mais gosta em UOL Cartões? E o que acha que pode ser melhorado?

Orlando Faya - Como colaborador, gosto muito de trabalhar com toda a equipe de interação. É uma troca bem estimulante. Para melhorar...gostaria de ter mais retorno do público, saber o que gostaram e o desempenho dos filmes publicados, os mais acessados e, assim, poder avaliar o que deu certo e o que não deu.

Tenho também a ambição de ter um link direto para os meus filmes como alguns da categoria "Humor" têm. É Natal...quem sabe Papai Noel me ouve? (risos). Como usuário, além dos sensacionais, incomparáveis e emocionantes filmes do Ilustralando (+++risos), sou fã da Elisa Sassi. O filme do chiuaua nervoso, por exemplo, é genial! Nem vou citar todos os outros fornecedores. É muita gente boa e competente, fico honrado de ter meu trabalho junto do deles. Ah! Mais uma coisa, acho que a página dos cartões merece uma roupa nova, um novo design.

UOL Cartões - E, sobre este cartão de Natal, como surgiu a idéia de fazer um Papai Noel "folgadão", de sunga branca e curtindo as maravilhas de nossa natureza?

Orlando Faya - É absurdo que a gente, em pleno calor de 40 graus, se renda a essa idéia importada de neve e rena. Se o pobre do Noel saísse do Pólo Norte e chegasse aqui com aquela roupa, acabaria derretido. A proposta é "cair na real" e curtir esse clima tropical que Deus nos deu. Menos roupa, mais sol e água de coco.

UOL Cartões - O que você espera para 2009?

Orlando Faya - Toda a virada de ano traz essa expectativa de mudança, esse espírito geral de renovação. Tenho esse projeto grande para o Ilustralando que já comentei. Espero que ele se concretize e que mais de minha produção chegue até o público.

UOL Cartões - Quando não está desenhando, o que gosta de fazer?

Trabalho muito e com o que gosto; o que acaba misturando muito do meu ofício com o meu prazer. Como em geral exagero na dose, quando tenho tempo descanso mesmo. Não faço absolutamente nada. Acho que isso reafirma o filme de Natal, né? (risos)

UOL Cartões - Pense naqueles que vêem o seu trabalho e gostariam de, assim como você, trabalhar profissionalmente com isto. Quais conselhos e dicas daria para estas pessoas?

Em vez de ficar escrevendo, recomendo a leitura do Guia do Ilustrador - http://www.guiadoilustrador.com.br/ - que é um material produzido por profissionais que estão no mercado e indicam o melhor caminho para sobreviver nele. É importante ter claro que é um ofício como outro qualquer. Sou absurdamente contra essa idéia do gênio criativo, mesmo porque o mercado não espera que "o artista esteja iluminado pelo dom divino" para entregar o pedido. Tudo tem prazo, data, hora certa para entregar. Recomendo que estudem sempre, trabalhem muito, insistam, persistam e não desanimem. Se tivesse desistido, não estaria dando esta entrevista agora.

Veja mais cartões do artista:




:: Escrito por UOL Cartões às 17h16
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Data do texto 08/12/2008

UOL Cartões fala sobre o Dia da Família

Em tempos de tanta violência, parece que as pessoas andam se esquecendo do verdadeiro significado da palavra família. Basta observar o noticiário e ver quantos núcleos familiares hoje sofrem com brigas e os mais diferentes tipos de conflitos de relacionamentos.

Muitos pais, por exemplo, têm de trabalhar o dia todo e acabam perdendo anos importantes da formação de seus filhos. Neste cenário, a escola é obrigada a suprir necessidades e deveres que deveriam ser dos progenitores. O resultado imediato deste processo é a falta de amadurecimento das crianças e a geração de "filhos-problema". Outra questão é que, sem esta presença do pai e da mãe, os jovens crescem com problemas emocionais e acabam descambando para a criminalidade, muitas vezes.

A grande verdade é que toda família passa por crises. Por isto, é muito importante que a ela esteja bem estruturada e dê totais condições para que todos convivam harmoniosamente dentro dela. Os integrantes da família devem se respeitar, saber valorizar as diferenças e mediar eventuais atritos.

Neste Dia da Família, UOL Cartões separou uma arte especial. Mande-a para seu pai, mãe, irmãos, e homenageie aqueles que te amam e querem o seu bem:

 


 

:: Escrito por UOL Cartões às 17h47
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